Cor como identidade, emoção e resistência: o terceiro talk da Iquine na Haus Decor Show 2025
08 de May, 2025
O mundo é feito de cores. Cada região revela uma paleta única — de pigmentos, memórias e sentidos. Essa diversidade foi celebrada no terceiro talk da Iquine na Haus Decor Show 2025, em um encontro marcado por emoção, ancestralidade e pertencimento.
Com o tema “Cores e regionalismos na arquitetura de interiores”, o talk reuniu nomes de peso: Cristiani Guessi, arquiteta e pesquisadora; Jonas Lourenço, arquiteto com trajetória marcada por investigações sobre o vernacular e o regional; e Ana Paula de Assis, conduziu a conversa com sensibilidade e escuta atenta.

## Le Corbusier, Barragán e o poder narrativo da cor
Cristiani Guessi abriu o encontro com uma reflexão provocadora: mesmo em arquiteturas conhecidas por seu rigor racional, como a de Le Corbusier, a cor se impôs como elemento emocional e transformador. “A paleta criada por ele era quase autoritária, mas ao mesmo tempo permitia composições vibrantes, que suavizavam a dureza do concreto e criavam atmosferas poéticas”, disse ela.
Ao falar de Luis Barragán, Cristiani fez uma pausa. “Barragán não buscava ser compreendido — ele queria ser sentido. Suas cores dialogam com a luz, o silêncio e a espiritualidade.” Ela destacou ainda o uso ancestral de pigmentos naturais no México e propôs um olhar mais atento ao território brasileiro: “Temos nossas sementes, nossas terras, nossas frutas. Nossas cores. Por que não valorizá-las mais?”

## A cor como resistência: entre o sertão e o Senegal
Jonas Lourenço ampliou o debate com experiências marcantes na África, Europa e Brasil. Para ele, cor é memória, identidade e resistência. “Não existe uma única casa brasileira. Existem muitas. A arquitetura vernacular é um espelho vivo do nosso povo”, afirmou.
Entre seus relatos, emocionou o público ao contar sobre projetos com crianças cegas e surdas em escolas africanas. “Achavam que cor não faria sentido para quem não vê. Mas cor também é textura, emoção, imaginação. Com três cores primárias, construímos juntos um universo sensorial.” Ele também falou sobre uma vila no Senegal que pintou suas casas com tons vivos como forma de resistência cultural. “A cor devolveu dignidade àquela comunidade. Isso é arquitetura com alma.”
## A Cor do Pertencimento: Rompendo Padrões
Jonas também trouxe uma reflexão potente sobre a relação entre ego, autoria e escuta no fazer arquitetônico. Em um dos momentos mais impactantes do talk, compartilhou a história de uma cliente que ousou romper com padrões impostos, afirmando com firmeza: “Essa casa pertence a mim.” Para o arquiteto, reconhecer o lugar do outro no processo criativo é um ato de humildade — e de liberdade. “A melhor marca que um arquiteto pode deixar é aquela que faz o cliente sentir que a casa é, de fato, sua. Uma casa com alma.”
Ao criticar a homogeneização dos projetos e o medo da cor — a chamada “cromofobia”, Jonas defendeu o uso simbólico e afetivo da paleta pessoal de cada morador. “Todos nós temos cores dentro de nós que podem ser transformadas em emoção, em matéria. É nisso que acredito.”
## A Iquine que acredita no poder da cor como manifesto
Esse talk foi mais uma prova de que a Iquine não está apenas nas latas de tinta — estamos na conversa, no conceito, no impacto. Na Haus Decor Show, nosso estande foi pensado como um território de experiências, onde a cor é ponto de partida para o afeto, a criação e o pertencimento.
Afinal, somos uma marca que acredita que a cor é expressão, é território, é política, é poesia. E quando ela vem carregada de história e intenção, ela transforma tudo — o ambiente, a gente e o jeito de ver o mundo.
## Assista ao talk “Cores e regionalismos na arquitetura de interiores"
Cor é identidade, afeto e resistência. Viva essa experiência no Talk 3 da Iquine — dê o play e assista completo!
[Assista agora.](https://www.youtube.com/watch?v=HpEZ8TFvGA4)